No grupo de mensagens
Mesa para oito no sábado
O grupo se chamava Reencontro??? e já durava quatro dias. Sílvia foi lendo no ônibus, a caminho de casa. Segunda: “a gente devia mesmo marcar alguma coisa”. Terça: onze mensagens sobre se comida italiana era pesada demais. Quarta: a foto do cachorro de alguém. Hoje Olívia tinha escrito “Pra mim qualquer dia serve, sério, o que todo mundo quiser”, com o que já eram seis as pessoas que queriam o que todo mundo quisesse.
Sílvia desceu um ponto antes para poder digitar andando. Criou uma enquete com duas datas e escreveu embaixo: “A votação fecha hoje às nove da noite. Ganha a maioria. Eu reservo.” Às 20h30 cinco tinham votado no dia 14. Bia não tinha votado. Às 21h01 Sílvia ligou para o restaurante mineiro perto do rio, aquele do pão de queijo, e reservou para oito às 19h30. Depois postou: “Feito. Sábado, dia 14, 19h30, mesa no meu nome. Quem não for me avisa até quinta, eles precisam do número fechado.” Tinha levado onze minutos. Ela não conseguia entender por que aquilo precisara de quatro dias.
Joinhas, corações, “você salvou a gente”. E então Bia: “Sim, chefe.” E uma carinha batendo continência. Sílvia parou na calçada. Era brincadeira. Provavelmente era brincadeira. Bia também não tinha votado e agora ganhava um sábado que não escolhera. Sílvia começou a digitar “Alguém tinha que fazer”, o que era exato, e ficou olhando. Pensou no último reencontro, quando Bia foi embora cedo e ninguém perguntou por quê.
Apagou a linha e escreveu direto para Bia: “O dia 14 dá certo mesmo pra você? Você não votou. Se sábado for ruim, prefiro saber agora do que na quinta.” Ainda parecia um pouco uma vistoria. Mandou assim mesmo. “Sábado tá ótimo”, respondeu Bia. “É que eu canso de ver os planos acontecerem em cima de mim. Mas eu também nunca ia ter reservado, então. Obrigada.”
“Então você escolhe aonde a gente vai depois”, escreveu Sílvia. “Essa parte eu não planejo.” Falava sério. Também fez uma anotação particular: conferir na sexta se Bia tinha escolhido algum lugar.