No grupo de mensagens
Três opções em noventa segundos
A mensagem do ginásio chegou às 18h02 de sexta: um cano estourado, todas as quadras fechadas, reservas reembolsadas. Bruno encaminhou para o grupo de dentro do ônibus. Edu mandou uma carinha chorando. Sara escreveu: “Bom, lá se foi a noite.” Thales começou uma frase sobre talvez remarcar para algum dia do mês que vem.
Mês que vem. Bruno já digitava com os dois polegares. “A noite NÃO se foi. Opção um: quadra aberta atrás da escola, a luz fica acesa até as dez, eu tenho bola. Opção dois: o boliche da avenida, estou ligando para lá agora. Opção três: minha casa, eu cozinho, a gente joga baralho e o Edu perde.” Enviou e discou para o boliche antes que alguém respondesse, porque ligar era mais rápido que digitar. Duas pistas livres às oito.
De volta ao grupo, seis mensagens. Thales escreveu que não sabia, que a semana tinha sido puxada, que talvez ficasse em casa. Bruno leu aquilo e viu um homem precisando de um empurrão, e deu. “Thales, faz quatro sextas seguidas que você fala em ‘semana puxada’. Calça o tênis.” Nada de Thales.
O ônibus sacolejou por dois pontos. Bruno reparou no nada. Ele era bom de ambiente, bom em pegar o meio segundo em que o rosto de um cliente se fechava, e um grupo era um ambiente de luz apagada, mas mesmo assim. Quatro sextas seguidas era uma coisa cuja conta a própria pessoa talvez estivesse fazendo. Pensou em pedir desculpas no grupo, e pareceu que isso aumentaria a coisa. Preferiu ligar.
“Fui um idiota lá no grupo”, disse quando Thales atendeu. “Você está bem?” Uma pausa. “Cansado. O trabalho está ruim.” “Tá. Então o trato é este. Eu te busco, você joga uma partida, e se for horrível eu mesmo te levo para casa.” Thales fez um som que era quase uma risada. “Uma partida.” “As pistas estão reservadas para as oito”, disse Bruno, e desceu um ponto antes para buscar o carro.