No grupo de mensagens
A enquete do sábado
“Sábado: cantina ou churrascaria? Votem.” Bruna postou a enquete às 9h02. Caio só viu às 11h40, no intervalo entre um artigo sobre por que as sirenes de ambulância são afinadas num tom específico e o que quer que ele devesse estar fazendo naquela manhã. Não votou. Ficou olhando a enquete.
Eram duas opções. Só que, nas quarenta mensagens acima, cinco amigos tinham citado quatro restaurantes diferentes, e pelo menos dois deles queriam claramente o japonês. Uma votação entre duas alternativas não tinha como mostrar isso. Era possível, pensou, a churrascaria ganhar sem ser a primeira escolha de ninguém.
Começou a digitar. “Detalhe pequeno, mas uma enquete com duas opções não consegue dizer o que o grupo prefere se existir uma terceira que ganharia das duas no mano a mano, o que” e parou aí, porque já ouvia Bruna lendo aquilo. Apagou tudo.
Mais acima, porém, havia uma pergunta que Felipe tinha feito na terça e ninguém respondera: se o café fica mesmo amargo com água fervendo ou se é só coisa que o povo repete. Escreveu seis linhas caprichadas sobre temperatura e o que se dissolve em que momento, avisou que não tinha certeza da segunda parte e enviou. Felipe respondeu com uma única carinha de sobrancelha erguida. “Hoje é sexta, Caio.” Depois Bruna. “Caio. Cantina ou churrascaria.” “Qualquer um está bom. Que horas?” “Eu falei 19h30 faz uma hora.”
Subiu a conversa. Ela tinha falado. Votou na cantina e, por garantia, pôs um lembrete no celular; aí viu que tinha marcado para domingo e voltou um dia. Ele queria ir. Gostava daquelas pessoas mais do que sabia demonstrar, e aparecer era a parte que de fato chegava até elas. Às 23h15 abriu uma conversa privada com Felipe. “Mudando de assunto. Quer saber por que a enquete da Bruna estava tecnicamente quebrada? É um problema bem bonito.” “Me conta no jantar”, escreveu Felipe. “19h30. Sábado. Na cantina.”